Notícias - Diocese

Ordenação Diaconal Seminarista Marlos de Lima Mirapalhete
11/03/2022
Para o seminarista Marlos, o ‘sim’ precisa ser diário, a cada amanhecer

O seminarista Marlos de Lima Mirapalhete terá sua Ordenação Diaconal no
próximo dia 19 de março (Dia de São José), às 10h, na Igreja Nossa Senhora da
Penha, na Vila da Quinta. Ele, filho de Osvalda Agripina de Lima e Balbino Rodrigues
Correa Mirapalhete, nascido no dia 01/09/1991, natural de Santa Vitória do Palmar,
compartilha com todos, um pouco da sua bela história de vida e de formação
vocacional.

Infância humilde – “Tenho orgulho de ser filho de uma doméstica, que teve
dificuldades em me criar e enfrentar o preconceito de ser uma mulher solteira. Nasci e
residi no serviço de minha mãe, onde morei até os 13 anos”.

Na Igreja desde cedo – “Quando tinha uns cinco anos de idade, fugia para a Igreja,
ao lado da casa onde morávamos. Neste meio tempo, a minha mãe autorizou que eu
fosse coroinha da Igreja. Nós éramos uma turma de quatro coroinhas, vestíamos uma
roupinha azul (em formato de batina), uma época muito legal. Nos idos de 2000, o Pe.
Raphael Pinto, ainda seminarista, conseguiu organizar o grupo de coroinhas que
passou de quatro para doze, todos jovens e eu era o mais pequeno. Tínhamos o
Grupo de Jovens Infância Missionária Santa Teresinha. Com o passar dos anos, cada
jovem foi se encaminhando em sua vocação, alguns já têm filhos, uma bênção.
Mantivemos o contato entre todos, mas devido a pandemia, ainda não foi possível nos
reencontrar”.

Doença da mãe – “Quando completei 13 anos de idade, a minha mãe caiu doente,
ficando paraplégica, necessitando dos cuidados de higiene pessoal e de locomoção.
Este período foi bastante conturbado, fomos morar em nossa casa e ainda tendo a
responsabilidade toda de gerir aquela situação. Posso dizer que foi um aprendizado
para a vida, pude aprender a importância de ter uma mãe ao lado. Passamos por
momentos de muita dificuldade, mas também recebemos ajuda de muitas pessoas.
Não posso deixar de lembrar os motoristas da ambulância, muito significativo naquele
período, fazendo todo o possível para carregar a mãe. Nesta fase trabalhava,
estudava e cuidava da mãe, com muito esforço e dificuldades”.

Convite para a vocação – “No ano de 2009, fui convidado pelo Pe. Cleomar Lemos,
que era o promotor vocacional naquela época, para entrar no seminário. Naquele
momento, isso não seria possível, pois cuidava da mãe. Não poderia deixá-la
desamparada, eu tinha uma responsabilidade como filho. Mas, para discernir a
vocação, comecei a frequentar o seminário Santo Cura d’Ars, em Rio Grande.

Então a paróquia de Santa Vitória pagava uma pessoa para cuidar da mãe, durante um final de
semana por mês. E o seminário pagava as minhas passagens de ônibus”.
A perda da mãe – “Durante este período, fazia algumas atividades pastorais na
paróquia, a pedido do seminário, participando da pastoral carcerária. Infelizmente, em
2011, nas duas semanas antecedentes de sua morte, 03 de julho, um domingo,
tivemos momentos de grandes tribulações.

O período de internação da mãe no Hospital Universitário em Rio Grande foi de sofrimento
e provações, mas tive a presença do Pe. John na minha vida. Na ocasião, ele era o reitor do
seminário e acompanhou-me durante todos estes dias. Foi complicado vê-la entubada na UTI,
fazendo-me refletir sobre o que é a nossa vida. Minha mãe foi guerreira e forte; a única
coisa que pedia era que descansasse em paz. Ela morreu em um final de semana, em
que ocorria um retiro dos seminaristas propedêuticos da Província Eclesiástica de
Pelotas. Não me esqueço do acolhimento do Pe. Guilherme Panatieri, que era o
pregador, que me auxiliou muito naquele momento”.

Novos momentos – “Deste período até fevereiro de 2012, residi em Santa Vitória. Em
fevereiro, passei a residir no seminário Santo Cura d’Ars e estudava no colégio
Augusto Dupratt, no bairro Getúlio Vargas. No ano de 2013 até 2016, passei a residir
em Pelotas, no seminário São Francisco de Paula, onde cursei o propedêutico e nos
anos posteriores, licenciatura e bacharelado em Filosofia, na Universidade Católica de
Pelotas (UCPEL). Em 2017, a convite de Dom Ricardo, resido em Rio Grande,
retornando para o Seminário Santo Cura d’Ars, como coordenador diocesano das
missões, com a missão de organizar a atividade missionária nas visitas pastorais”.
Aprofundamento teológico e além-mar – “No ano de 2018, retorno a Pelotas, para
cursar bacharelado em Teologia e, aos finais de semana, fazendo estágio nas
paróquias da Diocese do Rio Grande.

Em 2018, na Paróquia Santa Teresa, com Pe. Sadi Cordeiro, e na Paróquia São José Operário,
com o Pe. Nedir Piovesan, em Rio Grande. Em 2019, na paróquia São José, em São José do Norte,
 com o Pe. Eduardo Oliveira. E entre setembro de 2019 e março de 2020, tive a graça de estudar no
Seminário Conciliar São Pedro e São Paulo e na Universidade Católica Portuguesa
(UCP), em Braga, Portugal. Foi uma experiência de vida e de conhecimento de outras
culturas”.

As boas influências – “Ao retornar para o Brasil, pude fazer o estágio no Setor
Diocesano de Catequese, junto com o assessor Pe. John Cleber, com o desafio de se
reinventar como setor e catequese, por causa da pandemia. Em 2021, passo também
a estagiar na Paróquia Sagrada Família do Cassino. O Pe. John foi uma pessoa que
ajudou muito na minha vida, me acompanhou em todos os momentos que
antecederam a perda de minha mãe e todo o caminho dentro do seminário.

Sempre me escutando e amparando nas minhas crises vocacionais. Sim, falei em crise, pois
todos nós temos crises e uma coisa que aprendi é que o nosso “sim” é diário, não é
somente uma vez ou só na ordenação, mas é sempre, ao levantar, renovamos o
nosso “sim” ao chamado vocacional”.

Orações para o chamado vocacional – “Desde 2022, fui designado para a paróquia
Nossa Senhora da Penha, na Vila da Quinta, residindo com o Pe. Cleomar, que me fez
o primeiro convite para ingressar no seminário. Agora estou aqui, organizando a minha
ordenação diaconal e espero que a minha vocação possa dar frutos para a Igreja
particular do Rio Grande. E que o meu “sim”, no dia 19 de março, seja a resposta de
muitas orações. Peço que estas orações continuem não só para a minha vida, mas
também para todos que são chamados ao caminho vocacional".

Jornalista Lucilene Zafalon

Galeria de fotos